
Estive ha uns dias fazendo trekking pelo Vale de Lares, que fica perto de Cusco. Estava com um grupo de turistas, gente abastada, viajando em ferias.
Durante o caminho encontramos muitas comunidades de camponeses. Gente humilde, simples que vive de agricultura. Gente forte, digna e trabalhadora.
O choque cultural foi muito grande. Imaginem-se um monte de brancos, altos, com todo seu equipamento, botas, bastoes de caminhada quase morrendo pra subir e descer morro. Pessoas que pagaram centenas ou milhares de dolares em cartao de credito pra estar la. Enquanto isso, os camponeses com suas roupas tradicionais, sandalias feitas de pneu que estao mais do que acostumados a fazer o que nos faziamos. Eles comem basicamente chuño (tipo de batata andina congelada e seca), abas (mais ou menos como a lentilha gigante andina) e de quando em quando, passam viajantes com sacolas de pao pra dar pras crianças.
Nos, tinhamos barracas, carregadores, cavalos, cozinheiros, comida farta e abundante, gente trabalhando pra que o nosso camping fosse o mais confortavel possivel.
Lembrei de uma musica maravilhosa do Chico Buarque. Ai vai a letra.
Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Feito um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a como
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bemVindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar
São casas simplesCom cadeiras na calçada
E na fachadaEscrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar
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